Que todo o meu amor é teu.
Só pra contar pra quem quiser ouvir
Que eu encontrei alguém.
Não gosto de aparências. Não gosto de jogo. Não gosto de gente que fica espalhando aos quatro ventos que a vida é uma festa. A gente vive na era do sou-doidão-bebo-pra-caralho-amo-a-noite-tomo-remédio-pra-dormir-transo-muito-tenho-mil-amigos. Ninguém quer saber da sua vida. Desculpa, mas é. Se você tem problema pra dormir, que pena. Consulte um psiquiatra, leia um livro, conte carneirinhos. Mas não fique achando que é legal dizer que toma quatro boletas para dormir (eu teria vergonha, sério). É ridículo. As pessoas acham que é cool dizer que tomaram uma garrafa inteira de Absolut. As pessoas pensam que é bacana falar o tempo inteiro de sexo. Quem fala muito é porque tem algum distúrbio, algum problema, alguma falta, alguma falha. Ninguém quer detalhes da sua vida sexual. Lamento, mas é. Se você bebe demais, consulte o A.A. e conheça os 12 passos. Ninguém tem mil amigos.
Foi esperando quase nada que um quase tudo apareceu. Simples como um fim de tarde. No começo era medo, incerteza, insegurança surgindo como relâmpago no céu. Depois, uma sensação de pertencimento, de paz, de alegria por encontrar um sentimento desconhecido, mas que fazia bem. Não teve espumante, holofote, tapete vermelho. Foi simples como um fim de tarde. Algum frio na barriga, interrogações deslizando pelas mãos suadas, uma urgência em saber se aquilo era ou não pra ser. É que um dia alguém nos ensina que quando é pra ser a gente sente. Eu sempre quis que fosse pra ser, mas nunca foi. Com isso, me distanciei de mim e das minhas crenças. Mas então, o que não tinha nada, nada pra ser, foi. E eu fiquei ali, perplexa, parada, estupefata, com medo de dar certo. Porque a gente tem um medo que nos mastiga lentamente. Um medo azedo, que deixa a boca adormecida, que cutuca insistentemente. Medo da felicidade. Medo de que um sonho aconteça. Medo de enfrentar nossos sentimentos que ainda não acordaram. Então, abri os olhos. Não era sonho. Eu vivi aquilo. Eu sobrevivi ao medo. Eu encontrei o que chamam de amor.
Começou um novo tempo, pelo menos pra mim. Uma nova chance de fazer direito, por mais errado que pareça. Porque os olhos dos outros sempre enxergam diferente do que a gente sente. E tudo bem. Ninguém é obrigado a nos conhecer por dentro. Além disso, tem o que a gente é, a imagem que a gente passa e o que os outros concluem dela.
Não quero que soe petulante o que vou dizer, mas nem faço muita questão que as pessoas me conheçam a fundo. Tem gente que não merece o nosso coração aberto. Certas pessoas não precisam conhecer nossa alma. Porque elas nem vão saber o que fazer com tanta informação. Tem gente ruim no mundo, já me convenci disso. Espero que você entenda isso também. E que não sofra tanto ao constatar que nem todo mundo quer o seu bem. Algumas pessoas sentem prazer em perturbar os outros. O que ganham em troca? Não sei. E nem quero descobrir.
Quero uma dose de paz. E de amor. E de felicidade. E de sonho realizado. Quero pra mim. Quero pra você. Quero pra todo mundo que sente bem, que faz o bem, que se preocupa com o que é bom. Para o resto, quero só a justiça. Espero que as pessoas sejam mais tolerantes, que não resolvam tudo no tapa, que não machuquem os animais, que cuidem mais dos seus sonhos ao invés de tentar estragar a vida do outro com fofoca e sentimento barango. Espero que todo mundo ame mais. Que se abram para o amor.
Você pode me achar boba, mas o amor é o sentimento mais transformador e poderoso do mundo. Com ele, a gente pode tudo. Tendo ele no peito, a gente pode mudar o outro, mudar uma vida, mudar a gente mesmo. E isso é o que dá esperança e força para seguir em frente, por mais torto e esquisito que o caminho seja.